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Empatia não é se colocar no lugar do outro!

  • Foto do escritor: Aristides Ianelli Junior
    Aristides Ianelli Junior
  • 4 de jun.
  • 4 min de leitura
Duas pessoas, duas realidades diferentes na vida, mas quando estão lado a lado suas essências se conectam como aparece na sombra projetada.
Duas pessoas, duas realidades diferentes na vida, mas quando estão lado a lado suas essências se conectam como aparece na sombra projetada.

Empatia não é sentir pelo outro 


Por Aristides Ianelli Junior 


Quando alguém vira para você e diz "eu te entendo, sei bem o que você está passando", o que essa pessoa está realmente fazendo? Na melhor das hipóteses, ela está medindo a sua dor com a régua dela.

Se ela já passou por algo semelhante na forma, usa essa experiência como referência. Se nunca passou, imagina o que sentiria — o que é ainda pior. A verdade nua e crua é que empatia não é se colocar no lugar do outro. Isso é impossível. Empatia é estar junto, ao lado do outro. 


O lugar mais difícil de estar é o lugar do outro. Porque posso até tentar enxergar o seu Eu, mas não consigo saber quais os elementos e resultados de experiências que construíram esse Eu. Empatia não é se colocar no lugar do outro, mas junto, ao lado do outro, porque não tem como eu estar no lugar dele.


Pense em duas pessoas com dores semelhantes na forma — ambas perderam o emprego. Mesma idade, mesma profissão, cargos similares, patrimônios equivalentes, despesas mensais equivalentes, mesma quantidade de filhos, esposas que trabalham com rendas parecidas. Uma perdeu o emprego e sentiu o golpe, reagiu imediatamente às emoções, se fechou, baixou a cabeça, está triste. A outra olha e diz: "Ei, não é para tanto. Eu já perdi o emprego uma vez e tudo se resolveu muito rápido porque minha atitude foi positiva. Basta não ser negativo que tudo vai dar certo. Na nossa condição, temos tempo para arrumar outro trabalho, temos reserva de emergência..." 


O que falta nessa equação matemática que parece tão lógica? Aquele que não se abalou sempre teve um ambiente familiar voltado para o apoio, para a solução e não para o problema, para a oportunidade de aprendizado com os percalços. Já o que se abalou cresceu em um ambiente de escassez de compreensão, de competição por holofote. Seus irmãos sempre disputaram quem era mais bem-sucedido e quem "errava" ou "perdia" era tratado como incapaz, incompetente. Para piorar, quando seu pai perdeu o emprego no passado, passou por uma fase muito dura onde perdeu boa parte do que tinha e se afundou em depressão. 


As dores foram semelhantes na forma, mas os pilares que sustentam cada um são completamente diferentes. Um está sólido por dentro enquanto o outro não sente apoio nem em si mesmo. Não dá para estar no lugar do outro porque o que constitui o outro é diferente.

 

Desde criança, a sociedade nos ensina: "imagina se fosse com você". O problema é que isso pode eliciar exatamente o oposto da empatia. A pessoa pode olhar para a situação e responder: "ué, se fosse comigo já estaria resolvido porque aquilo não me afeta de nenhuma forma". Em vez de gerar compaixão, gera julgamento. É pedir para a pessoa usar os próprios pilares como referência — e isso pode gerar tanto empatia quanto desprezo.


Empatia exige ação ou basta presença? Depende de quem está sentindo a dor. Tem gente que precisa da ação. Mas a simples presença, quando intencional, também é ação. A presença intencional é a certeza de que "se eu sentir, ela estará ali". Presença sem intenção é omissão, é mera coincidência geográfica. A presença com intenção é a ação mais difícil, porque exige suportar a dor do outro sem tentar consertar


Vemos isso de forma cristalina na maternidade. A mãe que passa pelo filho a dor que ele teria que passar está aleijando ele. Quem ama quer que o outro seja independente. Quem ama deixa que o filho passe pela experiência, se colocando ao lado dele e demonstrando que se ele fizer tudo o que tem que ser feito e não der certo, ela estará lá para socorrer — mas que naquele momento a responsabilidade de lidar com aquilo é dele. Isso é amor.

O contrário é suborno de consciência: a mãe compra a própria paz pagando com a autonomia do filho, para não sentir a angústia de vê-lo sofrer. É a mesma armadilha da mãe que sufoca, que cede o próprio Eu, sobre a qual já conversamos em "Além de mãe, quem sou eu?". 


Existe também a empatia consigo mesmo. E ela não exige um erro anterior — isso seria autoperdão. A empatia consigo é aceitar o momento sem julgar, sentindo que tem em si todos os elementos necessários para passar por aquilo. Quem faz isso busca no seu Eu a força do que o construiu. É nesses momentos que o processo de individuação faz valer a pena tudo o que se passou durante a construção interna. Enquanto o autoperdão exige o reconhecimento de um erro e a decisão de não repeti-lo, a empatia consigo é pura presença, reconhecimento e paciência. Onde ambos se tocam é na exigência de que a pessoa se reconheça como humana, falível e merecedora de compaixão. 


Mas quem está vazio consegue ser empático? Ninguém é totalmente vazio. O que varia é o grau de consciência sobre o que te preenche. Como vimos em "O que te preenche é realmente seu?", quem está soterrado de conteúdo alheio pode ter material próprio, mas não acessa. Não é incapacidade — é desconexão. Para a presença ser intencional, a pessoa precisa de um mínimo de consciência de si. Precisa saber que ESTÁ ali e POR QUE está ali. Não precisa estar transbordando, mas precisa ter consciência suficiente para perceber que pode ser útil. Dá para dividir até na falta. 


O que não dá é para ceder o próprio Eu em troca de aceitação, como discutimos em "Se você depende, você DEPENDE". Quem não tem consciência do próprio espaço não consegue respeitar o espaço do outro. A empatia verdadeira começa quando você entende que a sua régua é só sua, que a sua dor é só sua, e que o máximo — e o mais bonito — que você pode fazer por alguém é estar verdadeiramente ao lado. Nem à frente puxando, nem atrás empurrando. Ao lado. Presente. Inteiro.




 
 
 

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