Cérebro, Genética e o Sopro da Vida
- Aristides Ianelli Junior
- 26 de mar.
- 3 min de leitura
Atualizado: 28 de mar.

Outro dia, pensando sobre o que estamos estudando em psicologia, me ocorreu uma analogia simples. O cérebro humano é o hardware mais sofisticado que existe.
Nós construímos supercomputadores, mas nada chega perto da complexidade, da eficiência energética e da capacidade de adaptação que cada um de nós carrega dentro no próprio cérebro. É uma máquina perfeita.
Mas um hardware, por melhor que seja, não serve para nada sozinho. Ele precisa de um software para rodar. E nós já nascemos com um software nativo, que vem instalado de fábrica. Esse programa inicial vem do nosso DNA e da epigenética. São as estruturas que herdamos e que nos permitem começar a processar o mundo antes mesmo de qualquer experiência consciente. É o que faz um bebê saber chorar quando sente fome ou frio.
Ao longo da vida, vamos instalando outros softwares. Cada experiência, cadaconversa, cada livro, cada dor e cada alegria é um programa novo que se instala sobre o sistema original. São os aprendizados, os traumas, os valores da nossa família, a cultura em que vivemos. Tudo isso vai moldando a forma como o nosso hardware processa a realidade.
Só que mesmo com o melhor hardware e o software mais completo, falta uma coisa essencial: a energia. Para mim, que encontrei a fé mais tarde na vida, essa energia tem um nome claro: é o sopro divino, a centelha de Deus em nós. Não é hardware, não é software. É o que liga tudo. Sem essa energia vital, o corpo seria só matéria organizada, um computador desligado na tomada.
A ciência, com a epigenética, tem mostrado algo fascinante. Parte desse nossosoftware nativo pode carregar as marcas das gerações que vieram antes de nós.
Traumas, comportamentos, padrões de reação. É como herdar um programa com algumas linhas de código escritas pelo seu avô, que você nunca conheceu. Você pode ter tendências e medos que não são originalmente seus.
Isso me levou a uma pergunta que me incomodou por um tempo: se a gente já nasce com um software carregado de histórias que não vivemos, onde fica a nossa liberdade? Onde está o nosso livre-arbítrio? A minha resposta, hoje, vem da fé e da razão juntas. O livre-arbítrio é um dom de Deus, e é incondicional. Ele não depende do nosso nível de consciência para existir. Desde a primeira decisão que tomamos, por mais simples que seja, a resultante é nossa. E cada resultante gera um dado novo sobre nós mesmos. É o começo do autoconhecimento, mesmo que a gente não perceba.
Mesmo nas condições mais brutais que se possa imaginar, como uma criança que cresce num ambiente de pura violência, o livre-arbítrio não desaparece. Ele pode ficar achatado, comprimido, quase sem espaço para se mover. Mas ele está lá. Até o silêncio, até a decisão de não agir, é uma escolha que gera uma resultante. Ninguém está completamente fora do processo enquanto está vivo. A alma sempre tem uma brecha para escolher.
E é aí que, para mim, entra o papel da Psicologia. O psicólogo não está ali para consertar o motor do outro, como um mecânico. Ele está ali para ajudar a pessoa a ouvir o próprio motor. A traduzir os ruídos, as falhas, os barulhos estranhos eminformação útil.
O psicólogo não exerce o livre-arbítrio pelo paciente, de jeito nenhum. Mas ele pode criar as condições para que o paciente exerça o seu próprio livre-arbítrio com mais clareza, com mais consciência. Ele ajuda a limpar o software, a entender o hardware e, quem sabe, a deixar a energia fluir de um jeito mais limpo. No fim, a decisão de acelerar, frear ou mudar de direção será sempre nossa preservando a Graça do Lívre Arbítrio recebido junto do Sopro Divino. 03/26 Cerebro Genética e Sopro da Vida




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